Processo criativo: as ideias por trás das obras de arte

A criatividade é o início de todo trabalho artístico. O KOH - Núcleo de Pesquisa da Cena questiona como se dá esta construção na mente de grandes coreógrafos contemporâneos. É o projeto O OLHAR NA DANÇA. Em janeiro, grupo lança site para compartilhar com outras pessoas a pesquisa.

 

Uma obra de arte. Um quadro, um poema, um filme, um livro, um espetáculo de dança, uma performance. Tantas são as formas de expressão artística e único é o ponto de partida de todas elas: a criatividade. Criar é uma forma de expressar e comunicar sentimentos que transpõe barreiras. Ela se relaciona a algo imaginativo e resulta no novo. Nas sete artes, o processo criativo é multi. Multidisciplinar, conversa com a história de vida do artista, seu contexto, suas experiências, os materiais, a música.

Por mais livre que seja, contudo, o processo criativo requer uma estrutura. Como ele se dá em cada uma das sete artes? No teatro e na literatura, por exemplo, técnicas e estratégias são definidas para construir uma história e envolver o público. No cinema, a jornada do herói é um dos recursos usados na elaboração do roteiro. A metodologia permite que a leitura da obra flua e dê margem a pensamentos outros, dando passagem à criação e à imaginação. Como será a sistematização na mente dos coreógrafos contemporâneos?

Para olhar a dança e o espetáculo que a cerca, é preciso olhar na dança, quem a desenhou. Esta é a proposta do projeto O OLHAR NA DANÇA, do KOH - Núcleo de Pesquisa da Cena, coordenado pela bailarina, atriz e produtora Juana Miranda. A partir de uma inquietação particular, Juana resolveu pesquisar o processo de criação dos coreógrafos em atuação. "O núcleo tem no seu conceito a união das linguagens do teatro, da dança e do cinema na cena. E o Olhar na Dança vem a questionar: se no cinema utiliza-se teorias para montagem de um filme, queremos entender a mente e os processos criativos dos coreógrafos.", explica Juana.

O OLHAR NA DANÇA será lançado dia 23 de janeiro, terça-feira, às 19h30 no Museu Nacional da República, Auditório 2. O evento será aberto ao público com bate papo sobre processo de criação com profissionais de diferentes áreas. Entre eles, Carol Senna, designer gráfico, Gustavo Serrate, cineasta e roteirista, Humberto Araújo, fotógrafo. A mediação ficará por conta da produtora, atriz e bailarina Juana Miranda.

O projeto, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, resultará em um livro - com 30 entrevistados - e também em um site. Este servirá como observatório da dança e um espaço de comunicação. Lá serão publicadas notícias sobre criatividade, entrevistas curtas, um mapeamento dos grupos de dança por região, curiosidades, além de ser uma plataforma de divulgação para o trabalho das companhias. "Com tão poucos livros sobre o assunto no Brasil, nosso objetivo é disponibilizar essas informações para todos. Estabelecemos critérios e escolhemos coreógrafos com mais anos de carreiras e mais trabalhos produzidos", comenta Juana, coordenadora da pesquisa.

As entrevistas com os coreógrafos começaram em outubro. Elas serão divulgadas no site, como pílulas, e completas no livro. Contudo, é um processo aberto. A ideia da página na internet é fazer com que os grupos indiquem coreógrafos e interajam com o núcleo de pesquisa.

O site é o elo de comunicação entre as pessoas. A equipe do projeto está reunindo o máximo de informações para entrar em contato com faculdades, bailarinos, grupos e escolas para que as pessoas tenham vontade de cadastrar o grupo na plataforma e deixar o campo aberto tanto como contato quanto para visibilidade. "O mapeamento dos grupos no Brasil é um dos focos principais da página. Queremos que esse contato com as companhias e entre elas seja de fácil acesso", comenta Juana.

Dança

A partir dos anos 80, acentua-se a diversidade nos modos de encenação dos corpos dançantes. Começa a aparecer a mistura de diferentes formas de dança, a transversalidade entre as disciplinas artísticas, a fragmentação do espaço cênico, a integração de métodos de treinamento corporal. Sem falar no fluxo migratório de dançarinos e coreógrafos e a aceleração das trocas de informação.

As preocupações não estão mais centradas nas piruetas ou no equilíbrio na ponta do pé. Aparecem novas músicas, novas imagens, descobertas do corpo e do silêncio. Uma dança diferente e contemporânea que possa integrar no tempo: novidade, coerência e novidade. Diante deste cenário, com tantas possibilidades, haveria uma sistematização ou uma metodologia para cada coreógrafo?

Serviço:

Bate papo sobre processo de criação e lançamento do projeto O OLHAR NA DANÇA
Data : 23 de janeiro, terça-feira
Horário: 19h30
Local: Museu Nacional da República, Auditório 2
Entrada gratuita

Sobre o KOH
O Núcleo de Pesquisa da Cena, criado em janeiro de 2017, propõe investigação e troca sobre a união das linguagens do teatro, dança e cinema na cena. Em ambiente virtuais através das redes sociais (Facebook: @KOHnucleodepesquisadacena e Instagram: @nucleodepesquisadacena), e também presencialmente através de espaços para treinamento, pesquisa e aperfeiçoamento. Organizamos oficinas de intercâmbio como a oficina do Stephane Brodt, diretor da Cia Amok (RJ) realizada em junho de 2017. Realizamos oficinas próprias, tendo realizado oficina DRAMATURGIA NA DANÇA para grupos e no curso de dança do Instituto Federal de Brasília, e também treinamento das residentes dentro do Festival Nacional de Danças Urbanas Batom Battle 2017.

Sobre Juana Miranda
Atriz, bailarina, produtora e pesquisadora da cena. Formada em Comunicação Social com especialização em Gestão Cultural com foco em Produção, trabalha com marketing de entretenimento, gestão e produção cultural pensando na profissionalização do mercado. Estudando teatro com a diretora Luciana Martuchelli há alguns anos, em 2009 fizeram o curso Odin Week na Dinamarca, onde conheceu o Teatro Físico do diretor Eugênio Barba.Após esse marco iniciou projetos de pesquisa, tendo realizado os espetáculos: A DESPEDIDA (2010) criado em parceria com Hanna Reitsch e direção de Iuri Saraiva, o mesmo participou do Festival Internacional Cena Contemporânea 2011; CIRANDA DAS HORAS (2013) criado em parceria com Larissa Leite e direção de Rosa Antüna; O SILÊNCIO DO MUNDO – VELEJANDO EM SOLITÁRIO (2016) e no mesmo ano foi selecionado no Prêmio SESC de Teatro Candango, onde ganhou Melhor Iluminação. Em 2017, lançou o KOH –Núcleo de Pesquisa da Cena e desde 2011 é responsável pela CHANG Produções, tendo elaborado, produzido, divulgado e feito prestação de contas de diversos projetos.

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